segunda-feira, 13 de junho de 2011

eyes;



Olá, leitores. Hahah (que coisa de revista, né?)
Bom, sumi, eu sei. Mas não esqueci disso aqui, juro. Só tem acontecido um bocado de coisas que me impede de escrever aqui ‘livremente’. Entendam-me.

Há alguns dias um anônimo veio ao meu formspring (http://www.formspring.me/lovescomendgo) perguntar-me sobre o uso de lentes de contato. Como eu uso há alguns anos, foi fácil dar várias explicações ao mesmo. (Espero que tenham ajudado).
Pois nessa de falar em lentes, olhos e irritações, lembrei-me de um trecho de uma crônica de Lispector que eu simplesmente AMO:
“Que por mais normal que seja uma vista, um dos olhos vê mais que o outro e por isso é mais sensível. Chamou-o de olho diretor. E este, por ser mais sensível, prende o corpo estranho, não o expulsa.
Quer dizer que o melhor olho é aquele que é um só tempo mais poderoso e mais frágil, atrai problemas que, longe de serem imaginários, não poderiam ser mais reais do que a dor insuportável de um cisco ferindo e arranhando uma das partes mais delicadas do corpo. Fiquei pensativa.
Será que é só com os olhos que isso acontece? Será que a pessoa que mais vê, portanto a mais potente, é a que mais sente e sofre? E a que mais se estraçalha com dores tão reais quanto um cisco no olho. Fiquei pensativa.”

Quer saber mesmo, Clarice?
Não, não é apenas com os olhos que isso acontece.
Porque assim como tem gente que vê demais, sente demais, sofre demais, tem gente que não vê nada e só machuca os outros. E, consequentemente, não enxerga o mal que faz.
E são essas pessoas, cegas, orgulhosas e estúpidas que transformam esse mundo ali de fora no que ele é: uma droga.
Pois sim, somos como olhos. Vemos, sentimos. Nos doemos quando algo incomoda, nos machucamos quando corpos estranhos surgem e nos cegamos quando paramos de pensar e nos isolamos num mundo fútil e hipócrita.
E quem dera pudéssemos lidar apenas com olhos sadios. Pois quem nasce cego, dificilmente torna a enxergar. E de que adianta lutar para abrir os olhos de quem além de não poder, – não quer – ver?

I quit.

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