domingo, 14 de agosto de 2011

second sunday



Hoje é dia dos pais e eu particularmente, por um milhão de motivos, nunca odiei uma data comemorativa como odeio essa. Primeiro porque eu tenho um pai que não merece nem ser chamado assim e porque comemorar é a última coisa que eu quero nesse domingo.
Enfim, não gosto de falar sobre esse assunto então vamos ao que interessa.

Hoje (por ser dia dos pais e bla bla bla) teve almoço na casa dos meus avós e a família estava reduzida porque um dos meus tios estava internado em outra cidade. E por mais egoísta que soe, foi tão bom.
Eu amo tanto essa parte da minha família que estava sentada à mesa hoje. Sinto-me bem, sou natural. Nossa ligação é tão forte, tão simples. O laço é tão visível. E eu admiro muito isso.
Éramos seis. Minha mãe, eu, minha vó e vô e meus dois tios mais novos. Os quais são meus preferidos.
Esse da foto é um deles. E hoje com todos esses pensamentos voltados aos homens, me peguei lembrando de que sim, você, tio Jaime, foi o mais próximo de pai que eu tive.
A minha memória mais antiga sobre você é de quando morávamos no Tocantins e você cuidava de mim à noite. Como eu poderia esquecer? Tinha apenas 4/5 anos.
Lembro-me das noites quentes, você me balançando na rede e me fazendo comer, porque naquela época, era algo que eu não gostava. Lembro de como você me ensinou pequenas e importantes coisas como dobrar lençóis, secar louça e obedecer. Lembro de quando você brincava comigo, me ajudava com as tarefas, e me vestia pra ir pra escola.
De quando você me levava pra passear e ia me mostrando as coisas, e me ensinando os nomes, as direções, os caminhos. Ensinando-me como cortar a carne, como segurar os talheres e utilizar o guardanapo.
Lembro de como você gostava de cuidar de mim, e do quanto eu gostava de ficar com você. E a primeira coisa que SEMPRE vem em minha mente quando eu penso em tudo que você fez por mim, foi o dia em que você me deu banho, lavou meu cabelo e no final disse “Amandinha, hoje você vai aprender a se secar sozinha, ok?” E foi me ensinando passo a passo, primeiro as costas, os braços, os dedinhos dos pés, os ouvidos... E toda vez que eu me pego repetindo os teus gestos, que eu nunca esqueci, eu percebo o quão importante você foi – e é – na minha vida.
Lembro também, que você foi a primeira pessoa a notar que tinha algo errado com a minha visão, pois eu sempre sentava muito perto da TV; que você não me deixava assistir até tarde. Então minha mãe me levou no médico e sim, como sempre você estava certo... E passou muito tempo me zuando pelo meu par de óculos azuis.
E quando você me colocava pra dormir? E dizia que eu precisava ir pra cama porque se minha mãe chegasse e eu ainda estivesse em pé, ela brigaria com nós dois... E como eu adorava deitar contigo na rede e você vivia me enchendo de cócegas e eu ria até cansar...
Mas não deu muito certo você ficar lá conosco, né? Seu lugar não era ali. Nem o nosso. Mas a gente durou cinco anos, não onze meses. Mas depois que você foi embora, nada foi do mesmo jeito. Eu sempre senti tanto a sua falta. E nunca te disse isso, não é mesmo? Mas eu ainda vou te dizer, prometo.
E nunca agradeci por você ter sido tão bom comigo. Por ter me protegido, me cuidado. Por realmente ter sido meu pai nesse quase um ano em que você morou conosco em Palmas.
Eu realmente não tenho palavras pra te agradecer. Você foi e é, um dos meus maiores presentes, exemplos e orgulhos. Feliz dia dois pais, meu pseudo pai. Te amo muito e te desejo tudo de melhor, você merece, Gordinho.

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