quinta-feira, 24 de março de 2011

Clarices.

Que saudade disso aqui!
As coisas andam corridas, – e divertidas - então, não me sobra muito tempo ou inspiração para postar aqui. Sabem como é, o cansaço te suga de uma maneira inexplicável.
Mas bem, não estou aqui para detalhar minha rotina... Pensei o dia inteiro neste post, portanto:

Quem me segue no twitter sabe que minhas tardes de terças e quintas são regadas à tererês, leitura, fones de ouvido e twitter via celular.
E hoje foi diferente. Meu celular não tinha mais bateria e eu estava de cabelos presos. Logo, o uso de fone seria impossível.
Limitei-me a ler. Não lembro se comentei por aqui que estou lendo Clarice Lispector. Se sim, perdão.
Todos sabem que Caio Fernando é o meu autor favorito e colocou um pedaço de mim em cada linha que escreveu. Mas Clarice, ah, Clarice...
Não sei. Essa mulher me examinou toda por dentro antes de por no papel todas as crônicas que foram publicadas no Jornal do Brasil. Dominadora, encantadora.
Conseguiu me fazer refletir sobre cada passo que dei, que estou dando. Laçou-me. E como um vento súbito fez-me apaixonar-se por cada palavra sua. Ela possui um jeito de escrever que me intriga, que me faz ler as entrelinhas, que desperta o meu cérebro para o que está além das folhas de seu livro. Faz olhar ao redor, encarar os fatos.
Tem um quê de mistério, de poderoso. Essa mulher era poderosa. Fascinante.
Lembra-me de minha mãe. Talvez por terem o mesmo nome e a mesma personalidade forte. A mesma garra de viver e um mistério que carrega uma magia surreal.
E com “A Descoberta do Mundo”, Clarice Lispector ajuda-me a descobrir meu submundo. O mundo existente abaixo de minha derme. Minh’alma.
E lembra-me de minha Clarice, que me ajudou a descobrir o mundo aqui de fora. O quão grande ele é. Todas as armadilhas que possui. E o quão lindo pode ser.
Me fez descobrir tudo o que é traiçoeiro, perigoso. E que o amável e o afável estão escondidos. E deu-me um mapa, com todos os caminhos, para eu traçar minhas estradas. Minhas curvas, meus atalhos. Mostrou-me como funciona e ensinou-me a caminhar.
Ensinou-me que é preciso mais que vontade para descobrir o mundo. É necessário dedicação, força e um coração duro por fora e mole por dentro. Pois como em toda descoberta, decepções são inevitáveis. Portanto, devemos saber como evitá-las e como prosseguir em nossa incansável busca pelo mundo. O nosso próprio.

Obrigada a ambas Clarices. Pelas lições, pelas palavras e pelo conforto que só vocês conseguem me proporcionar. Sou eternamente grata.

-

Dedico esse post para minha mãe. A segunda Clarice do texto, a qual nunca lerá essas linhas.
Que neste momento não sei onde se encontra, mas continua aqui, presa em mim.
E é com lágrimas escorrendo que termino esse post:
Fazem três horas que você partiu e eu já te quero de volta.
Se cuide. Eu te amo, e já estou com saudades. ♥

Nenhum comentário:

Postar um comentário