segunda-feira, 25 de abril de 2011

infinite.




Chove lá fora e esta sala está parcialmente escura. Poderia debruçar-me nesta carteira – como metade da turma o faz – e tentar dormir. Porém, seria inútil e frustrante.
Os pensamentos correriam pela minha mente – como fazem agora – impedindo qualquer tipo de concentração.

E tem sido assim há dias, desde que li uma crônica de Lispector na qual tentava explicar o infinito.
Pois bem, o que é o infinito?
Sim, um símbolo matemático. Sim, algo que não vemos, não alcançamos. Não podemos nada além de saber sobre sua existência.
E, ao ler que “o infinito é um vir-a-ser. É sempre o presente, indivisível pelo tempo. O infinito é o tempo. Espaço e tempo são a mesma coisa. Que pena eu não entender de física e matemática para poder, nessa minha divagação gratuita, pensar melhor e ter o vocabulário adequado para a transmissão do que sinto.” Descubro que sinto infinito.

Conseguem entender?
Ok, tentarei ser mais clara e direta:
Como é possível sentir infinito?
Sentir infinito é a forma mais simples e pura de sentir. Basicamente: não vejo, não posso tocar e está muito longe. Mas é grande, extenso e inacabável. É simples e complexo ao mesmo tempo. Seria demais se eu comparasse tudo isso a um paradoxo?
Enfim, não ligo.
Não há nada que eu possa fazer. Não consigo parar de sentir e também não quero.

E sabe por que não quero?
Pois me mostra que ainda sou capaz de sentir de uma forma pura. Uma forma na qual eu jamais imaginei que pudesse sentir. E sinto-me feliz.
Talvez sejam raras as situações que esses sentimentos infinitos aflorem. Muito raras.
Os que eu sinto hoje em dia já existem há tempos. Pois são vindos de uma época onde eu sentia com total sinceridade. Onde tudo acontecia com tamanha naturalidade... Quando eu ainda colocava a mão no fogo por muita gente.

Hoje soaria irônico. Não estou mais assim.
Não ESTOU porque se eu ainda consigo sentir desta forma, não me transformei. Apenas acrescentei uma capa protetora aos meus sentimentos, medos e ao meu coração.
Não acredito em palavras, não confio em ninguém. E desconfio de absolutamente tudo.
Portanto é extremamente fascinante descobrir que ainda sou capaz de sentir sem depender de contato visual e auditivo. Soa estranho, mas é tão bonito... Bonito porque algumas pessoas ainda possuem o dom de me cativar. De fazer-me amá-las, da forma mais sincera do mundo. Infinitamente. Inexplicavelmente.
E assim deveria ser, com tudo e todos. Pois essas pessoas são essenciais. E bem sabemos que o essencial é invisível aos olhos. Assim como vocês. Invisíveis e sempre presentes.

“Tem horas que eu me perco sem vocês aqui, aí eu lembro: Estão tão longe de mim... E ai meu coração grita: Mas estão aqui dentro!” c.f.a.

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