quinta-feira, 21 de abril de 2011

PoA.

Como disse no post anterior, postarei um trecho de uma crônica da Clarice L. que fala sobre Brasília, mas trocarei-a por Porto Alegre:


“Essa beleza assustadora, esta cidade traçada no ar. – Por enquanto não pode nascer samba em Porto Alegre. – Porto Alegre não me deixa cansada. Persegue um pouco. Bem disposta, bem disposta, bem disposta, sinto-me bem.
Aqui é o lugar onde o espaço mais se parece com o tempo. Tenho certeza de que aqui é o meu lugar certo. Tenho maus hábitos de vida.
Dois homens beatificados pela solidão me criaram aqui de pé, inquieta, sozinha, a esse vento.
Eu sei o que os dois quiseram: a lentidão e o silêncio, que também é a ideia que faço de eternidade. Os dois criaram o retrato de uma cidade eterna.
Há alguma coisa aqui que me dá medo. Quando eu descobrir o que me assusta, saberei também o que amo aqui. O medo sempre me guiou para o que eu quero; e, por que eu quero, temo. Muitas vezes foi o medo quem me tomou pela mão e me levou. O medo me leva ao perigo. E tudo o que eu amo é arriscado.”


Beijos.

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